CMO do Congresso foi suspensa após discussão entre Paulo Guedes, e Glauber Braga

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Ministro da Economia e Glauber Braga (PSOL-RJ) trocaram farpas, e presidente da comissão decidiu encerrar os trabalhos. Guedes foi ao Congresso falar sobre o orçamento da União para 2020.

A audiência pública na Comissão Mista de Orçamento (CMO) do Congresso foi suspensa nesta quarta-feira (25) após discussão entre o ministro da Economia, Paulo Guedes, e um parlamentar da oposição, o deputado Glauber Braga (PSOL-RJ).

Durante a sessão, o deputado questionou Guedes sobre supostos lucros com negócios na área da educação, anteriores a sua entrada no governo, e interrompeu a fala do ministro por mais de uma vez durante a resposta.

“Por favor. É a minha vez de falar”, disse Guedes. “Quando o senhor falou, eu fiquei quieto. E mais do que isso, não é nem réplica, eu não estou aqui para conversar sobre as minhas finanças pessoais. Desculpe, eu estou aqui para conversar sobre orçamentos públicos. Então, se quiser fazer alguma coisa a respeito disso, eu vou conversar depois, em outro fórum”, completou o ministro.

Guedes disse que Braga deveria fazer a acusação em um “fórum privado” e que, assim, processaria o deputado.

“Faça a acusação num fórum privado e será processado. Faça, vamos ver. Nós apoiamos a Lava Jato. Vamos apurar isso profundamente. Nós vamos apurar isso profundamente”, disse Guedes.

Em outro momento Braga começou a defender os superávits fiscais obtidos durante os governos petistas. Para o deputado, os déficits surgiram após a aplicação de medidas econômicas defendidas por Guedes.

“Há uma diminuição considerável dos investimentos públicos com uma retração exponencial da economia e consequentemente com a ampliação do déficit”, disse o deputado. “Desde que essa cartilha está sendo colocada pelo governo federal, ele [o déficit] só cresce”, completou Braga.

Ao responder, o ministro reclamou de interrupções de Braga e disse que queria respeito.

“Eu quero ser respeitado. Você quer fazer política, quer ganhar voto, é com outro jeito. Não é aqui”, afirmou o ministro.

Braga seguiu interrompendo a fala do ministro – com os microfones desligados, porém, sem que ficasse claro o que ele dizia. Mesmo após apelos do presidente da comissão, senador Marcelo Castro (MDB-PI). Com a insistência, Castro decidiu encerrar a sessão.

Na saída, Guedes disse a jornalistas que “por ele, continuava” os debates. Afirmou ainda que Braga foi “mal-educado” durante a sessão.

“Estou supertranquilo, o que houve é o seguinte. Algumas pessoas falam e eu espero quando eles falam. Quando eu começo a falar, eles não calam a boca, querem falar. Eu tenho que poder falar. Eu não sei o nome nem quero saber [do deputado]. Um mal-educado”, concluiu o ministro.

Audiência pública

O ministro participava de audiência pública para debater sobre as propostas do governo Jair Bolsonaro para a Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2020 e para o Plano Plurianual (PPA) de 2020-2023.

Pela previsão de Castro para a audiência, Guedes responderia a cada bloco de cinco parlamentares. Em seu tempo de fala, Braga questionou reportagens que falam sobre supostos lucros de Guedes no passado.

No início de sua resposta a Braga, Guedes confundiu o nome do parlamentar e chegou a chamá-lo de Glauber Rocha, cineasta brasileiro morto na década de 1980. Em resposta, o deputado afirmou que o chamaria então de “Paulo Cabral”, sem explicitar sua referência.

Com o encerramento, a sessão que começou por volta das 14h40, durou cerca de duas horas e vinte.

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