Os protestos prosseguem em Hong Kong apesar do recuo do governo sobre lei de extradição

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Revolta maior é contra o controle chinês. Trata-se de uma cruzada dos residentes para manter a identidade de Hong Kong, em favor da liberdade de expressão e da democracia.

Não bastou a suspensão do projeto de lei que permitiria a extradição de suspeitos de crimes de Hong Kong para a China. Ao contrário, o volume dos protestos praticamente dobrou porque centenas de milhares de manifestantes almejam muito mais: a retirada do projeto e a renúncia da diretora executiva da cidade, Carrie Lam, alinhada a Pequim.

A revolta maior, contudo, é sobre o controle chinês sobre a ex-colônia britânica. Trata-se de uma cruzada de seus residentes para manter a identidade de Hong Kong, em favor da liberdade de expressão e da democracia, direitos assegurados durante 50 anos pela Lei Básica, em 1997, quando a cidade foi devolvida à China.

A realidade mostrou que ao longo destes 22 anos, porém, o princípio “um país, dois sistemas” ficou para trás, com frequentes ingerências de Pequim ao estado de direito, estruturado no modelo ocidental e em vigor até 2047.

Por isso, o projeto que facilita a extradição de um suspeito para ser submetido a um sistema jurídico chinês cheio de falhas provoca tanta desconfiança e apreensão. Basta imaginar o destino de um dissidente político chinês que fosse extraditado de Hong Kong para ser julgado em Pequim.

Desta vez, ao contrário da Revolta dos Guarda-Chuvas, em 2014, quando não houve concessões e os líderes do movimento foram mandados para a prisão, o governo recuou. Lam adiou a apresentação do projeto. Depois que quase um terço da população invadiu as ruas pela terceira vez em uma semana, ela pediu desculpas. Tarde demais.

A diretora-executiva conseguiu desagradar a todos — Hong Kongers, como os residentes preferem ser chamados, empresários e, sobretudo, o governo chinês. Os manifestantes não aceitaram as desculpas de Lam sobre a condução de sua controversa lei; o presidente Xi Jinping se viu obrigado a fazer uma concessão, pela primeira vez em sete anos no comando da China.

Tudo leva a crer que a suspensão do projeto foi um recuo tático, acertado num encontro secreto entre Lam e o vice-premiê chinês, Han Zheng. Mas tanto a chefe-executiva de Hong Kong quanto o governo chinês parecem estar de mãos atadas diante do rumo incontrolável que tomaram os protestos, sem uma liderança específica e insuflados pelas redes sociais.

Carrie Lam argumenta que não desistirá de seu projeto, como exigem os manifestantes, porque isso levaria crer que ele não tinha fundamento. O governo chinês, por sua vez, enfrenta seu maior constrangimento às vésperas da reunião do G20, no Japão, mas não tem como demiti-la agora porque seria mais uma admissão do erro.

A saída de Lam está longe de ser a solução da crise, uma vez que o líder é eleito por um comitê repleto de aliados da China. Depois dela, haverá outro. E também nova ofensiva do continente para tentar ruir o sistema democrático do território semiautônomo.

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